Flordelis: Mandou Matar? (Análise Não Verbal)

Nos últimos dias meu canal, e meu nome, foram marcados em inúmeras notícias e postagens, geralmente dizendo “Metaforando acertou mais um”, “Olha só, não é que o Metaforando tava certo?”. Apesar de achar isso meio estranho, pois parece mais que eu era algum tipo de “Vidente” do que alguém que apenas estava teorizando, fui ver do que se tratava. Era sobre o caso Flordelis, quando vi a notícia me lembrei de tudo que observei enquanto analisava esse emblemático caso.

Flordelis e seu marido Anderson, quem ela supostamente mandou matar.

Há quase um ano, me foi solicitado inúmeras vezes, a análise do caso Flordelis. Ela era suspeita de ter participação no homicídio do próprio Marido (Anderson do Carmo). A Deputada, e também pastora dizia não ter nenhum envolvimento com a morte do Marido (que foi assassinado na garagem da própria casa, tendo sido alvejado mais de 30 vezes). Minha análise foi vista como “não favorável” a Flordelis, uma vez que indiquei alguns pontos com grande chance de serem dissimulações ou inverdades. E agora, quase um ano depois, a verdade vem a tona, a investigação acusa Flordelis de ser mandante do crime.

RELEMBRANDO: 2019

A FACE:

Em entrevista ao câmera Record para dar “a sua versão” dos fatos envolvendo a morte do pastor Anderson, Flordelis demostra vários sinais de incongruências. O ponto principal observado na face dela, são as expressões de Felicidade que demonstra inúmeras vezes, com micro sorrisos e micro contrações na região orbicular dos olhos.

Como no momento em que o repórter pergunta como ela está se sentido após a morte de seu marido, ela faz uma micro expressão de FELICIDADE, podemos observar isso pelo zigomático maior contraído bilateralmente; AU12B.

Um outro momento emblemático, ocorreu na entrevista para a rede Globo (programa Fantástico), quando Flordelis é questionada sobre “quem poderia ter matado o pastor Anderson” (frame abaixo).

Novamente, ela exibe felicidade, com um micro sorriso, o que é muito incoerente. Em sua linguagem verbal ela faz uma pergunta nesse momento, dizendo algo como “Pois é, essa é a grande pergunta”. A reação mais comum em situações como esta, seria o uso de um comportamento mais reativo, e voltado para emoções negativas, como por exemplo chorar, gritar, xingar, mas não um sorrisinho.

O comportamento facial de “felicidade” poderia nos dizer que ela (Flordelis) experienciava o que é chamado de Duping Delight, ou a “satisfação” que o mentiroso tem, quando acredita que sua história falsa está “colando”.

DISCURSO INCOERENTE:

Além dos vários sorrisos expressos por ela nessa entrevista, ainda podemos ver um estilo verbal mais “afastado”, que acontece geralmente quando o mentiroso evita abordar diretamente um tema, ou prefere usar frases de efeito. Isso fica evidente logo após ser perguntada “como está se sentindo” (em relação a morte do marido) quando ela diz : -“ Dizem que o tempo melhora esse tipo de situação, mas não está sendo esse o meu caso”.

Lembro que esse tipo de linguagem me chamou muito a atenção, pois esse estado de certa “apatia” com as palavras, é algo muito marcante em casos onde o mentiroso se convence de que não será pego. Ele joga com uma máscara social positiva, altruísta, e acaba cometendo frases como essa, onde geralmente é passada uma espécie de “sabedora”. Quando ouvi ela dizer isso, meu foco redobrou nessa análise.

O uso de uma linguagem tão formal (“não está sendo esse o meu caso”) e tão bem articulada num momento desse onde seria predominante um tipo de reação mais emocional bem como uma linguagem mais espontânea mais emocional, não faz muito sentido narrativo e pode ser visto como uma inconsistência narrativa uma vez que ela articula muito bem palavras complexas, demostrando ali uma certa manipulação do seu discurso e uma ausência de espontaneidade e também pode estar relacionado a um afastamento verbal porque ela não nomeia a situação como, por exemplo: – “Eu estou muito triste pela morte de meu marido… isso caracteriza um afastamento, ela não faz mensagens diretas a ele como: Eu estou triste porque ele morreu, ela apenas define como “Esse tipo de situação” que é um termo ambíguo totalmente diferente  se ela falasse algo como: “- Eu ainda não superei a morte dele!” Portanto esses pontos ambíguos numa narrativa geralmente levantam suspeitas, vemos isso em outros casos como no depoimento de Bill Clinton quando se referiu a Monica Lewinsky (que era sua amante) ele disse: “- Essa mulher…” Ao invés de: minha secretária, caracterizando um afastamento verbal.

Em muitos momentos da entrevista podemos observar que Flordelis utiliza de vários afastamentos verbais, como citei esse tipo de afastamento em excesso pode ser visto como discurso evasivo, como na narrativa dela quando relata o que ocorreu no dia do crime, ela enche de detalhes a história, descrevendo em meio ao relato que a filha veio correndo: “A milha filha que mora embaixo e  dorme na sala perto da porta do…” esse tipo de detalhes excessivos segundo o protocolo SCANS de análise não verbal e o protocolo SCAN do conteúdo na mensagem não verbalizada são uma dissimulação, porque quando queremos contar uma historia verdadeira pra gente nos vamos direto ao ponto emocional , não ficamos preenchendo ela com detalhes, com narrativas evasivas, ou relatando outros pontos da história, invés de darmos mais atenção ao “ponto principal”.

TEORIA DO PASTOR ANDERSON: Uma possível motivação para o crime.

Teria o pastor Anderson, cometido abusos sexuais?

Acontece que uma das linhas de investigação presumia que o pastor Anderson poderia ter tido relação sexual com alguma das filhas adotivas, ao ser questionada sobre isso Flordelis se nega a responder e fica visivelmente irritada com esta pergunta ela clama estar furiosa e diz sentir-se desrespeitada. Os elementos que envolvem esse crime 30 tiros, 30 perfurações no corpo, uma grande gama de perfurações na região genital, podem revelar grande impulsividade de quem executou Anderson, veja bem, não foram 5 tiros (como ela diz “pá pá pá pá pá” ) foram 30 tiros que demonstra um estado emocional elevado em quem fez isso, e não uma frieza, o que novamente tem uma relação muito grande com motivos pessoais e o fato  da grande concentração de tiros na parte genital, pode estar associado a uma mensagem direta que pode ter sido passada do agressor ou dos agressores para o pastor Anderson, ou que “utilizasse” o pastor Anderson para passar uma mensagem pra mídia e novamente reforço a ideia que há grandes motivações pessoais envolvendo esse crime oque tornaria improvável a hipótese de que tenha sido assaltantes ou pessoas que não tivessem relação ou conhecimento direto com o Anderson.

A linha de investigação provavelmente presumiu que os filhos poderiam ter sido abusados por Anderson e assim terem se rebelado contra o pai adotivo como manifesto por abusos sofridos. Vale lembrar que embora não seja confirmado que o pastor Anderson teve ou não relações sexuais com as suas filhas adotivas ou até mesmo pedofilia, ele tem um perfil muito semelhante a de outras pessoas que se envolveram em abusos cometidos contra crianças em comunidades e geralmente com ligações religiosas.

Jim Jones e David Koresh, eram pastores, cometeram abusos e foram baleados até a morte.

Foram os casos como o de  João de Deus, Jim Jones e David Koresh, que assim como Anderson, esse três também tinham os seguintes elementos eram líderes religiosos que pregavam religião derivadas do cristianismo, viviam em comunidade ou casa compartilhada com mais de 15 pessoas das quais todas as pessoas dormiam próximas umas das outras, crianças, meninos, meninas, homens, mulheres, e mesmo com filhos não se mudavam ou construíam novas residências moravam sempre no mesmo local, tinham acesso a criança de forma fácil e muitas vezes sem supervisão de adultos eram líderes de suas famílias e das famílias que estavam hospedadas em sua comunidade ou casa compartilhada, tinham o controle financeiro de tudo e dividiam tarefas da casa para cada pessoa possuíam crianças adotadas em situações ilegais (como mostra na entrevista, Flordelis  diz que dos 55 filhos adotivos apenas 15 eram adotados em Lei). Todo esses pontos são similaridades conhecidas por essas 4 pessoas, ainda não há provas de que o pastor Anderson tenha abusado dos filhos, porem esses outros três citados, abusaram de mulheres, homens, crianças e além de violência sexual, praticaram contra elas, também violência física contra mulheres, crianças e animais. Com exceção do João de Deus os outros três, Anderson, Jim Jones, David Koresh foram baleados até a morte, então pode ser que haja uma correlação entre esses perfis, são todos muito parecidos, pode ser que haja uma correlação entre o abuso sexual infantil e a figura do Anderson, pode ser que haja.

REVELAÇÃO DO CASO: Investigadores concluem o caso em 2020.

Alguns dias atrás, a investigação do MP e da Polícia Civil do Rio de Janeiro, finalizou suas diligências, oferecendo a acusação de Flordelis como “mandante” do crime. Nas palavras dos oficiais envolvidos no caso “Esse tipo de crime, revela que o culpado geralmente é alguém próximo ou da família”.

Ainda além disso, a investigação revela que Flordelis já tentava matar Anderson há 2 anos, por envenenamento (enquanto ele comia). Um dos filhos de Flordelis, que “assumiu ter atirado em Anderson”, disse em depoimento a polícia, que teria matado o padrasto (Anderson) pois suspeitava de que ele teria abusado de uma de suas irmãs.

Flordelis, por ser deputada, não pode ser presa preventivamente, por ter foro privilegiado.

O Desfecho de todo esse caso ainda está por vir.

Obrigado por todos que leram até aqui, abraços!

3 comentários em “Flordelis: Mandou Matar? (Análise Não Verbal)”

  1. Ótima matéria, admiro muito seu trabalho e sim dia quero fazer seu curso (tenho 15 anos)
    Espero que nunca pare ,pois, aprendo muito com seus vídeos

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